sábado, 14 de fevereiro de 2015

LEIA O TEXTO A SEGUIR,

depois responda as questões de 1 a 12.


                                CASA MAL ASSOMBRADA

          Eram duas e meia da manhã quando Levi, Antônio e Arnaldo andavam pelas calçadas sujas de sua cidade. Estavam vagando a mais três horas sem nada pra fazer, Levi odiava fazer isso, preferia estar em casa assistindo TV e comendo, mas sempre acompanhava os amigos porque não gostava de ficar sozinho. Chegaram à antiga estação de trem da cidade que já desativada havia muitos anos.
        “Vamos embora daqui, eu odeio esse lugar” – pediu Levi tentando não parecer aterrorizado.
        “Deixe de ser medroso” – respondeu Arnaldo. “Vamos até a casa abandona da colina e dar uma olhada, estou precisando de uma aventura.” – completou ele com a voz excitada.
         Antônio riu e começou a andar em direção a casa, os outros dois o seguiram. Chegaram ao portão de entrada e olharam aquela imensa construção, era linda e tenebrosa ao mesmo tempo.
         Os três jamais viram alguém morando naquele lugar, o dono da propriedade a trancou a mais de cinqüenta anos e não voltou mais, nunca vendeu ou alugou. Os moradores da região até evitavam passar perto com medo, diziam que o lugar era assombrado.
         Anos atrás o filho do prefeito daquela cidade estava se casando com uma moça que morava ali. No dia do casamento, a melhor amiga da noiva a levou para a casa do prefeito dizendo que queria mostrar-lhe algo. Chegando lá elas sobem até o quarto onde o noivo dormia e o encontram na cama com outra mulher. Em um momento de desespero a noiva desce até a cozinha pega uma faca e mata o noivo e a amante. Momentos depois, ela não conteve a agonia e enfiou a faca em seu coração. Supostamente os fantasmas dos três ficaram na casa onde diz à lenda que o fantasma da noiva tortura os outros dois.
         Arnaldo foi o primeiro a entrar, pulou o portão e foi em direção a casa. Olhou para trás e viu os outros dois pulando também e continuou até chegar à porta. Levi ficou parado no meio do caminho.
        “Eu não entro ai, estou sentindo mal, alguma coisa me diz que agente deveria ir embora.” – disse o rapaz com voz tremula.
         Os outros dois não deram importância. Voltaram-se para casa e olharam pela janela. Eles se espantaram porque podiam ver muito bem o que tinha dentro da casa somente com a iluminação da lua que entrava pelas janelas. A sala de entrada era enorme e toda a mobília parecia estar lá, porem coberta com lençóis.
         “Opa, a porta da frente esta aberta.” – Disse Antônio já abrindo a porta.
          Os dois entraram, o lugar era lindo, descobriram alguns móveis e viram que estava tudo intacto, parecia que alguém estava cuidando de tudo. Antônio decidiu subir para o próximo andar e ver se achava algo interessante. Arnaldo foi ver outro cômodo. Momentos depois Arnaldo escuta Antônio descendo as escadas.
          “Vamos embora, Levi esta nos esperando lá fora.” – Gritou Arnaldo para que seu amigo pudesse escutá-lo.
          Antônio não respondeu, Arnaldo se virou para ir até a saída e deu de cara com alguém, não pode ver quem era porque a luz vinha de trás da pessoa então só via a silhueta. Uma coisa ele tinha certeza, estava vestida de noiva. Seu corpo congelou então ele riu tentando disfarçando o susto.
         “Muito boa essa Antônio, quase me mata de susto. Vamos embora, já tive muito pra uma noite, esse lugar esta me dando arrepios.” – disse Arnaldo irritado.
         Antônio continuou calado. Arnaldo ficou inquieto olhando o suposto amigo e começou a andar em sua direção, a silhueta também se movia ao seu encontro. Algo mudou na visão de Arnaldo, parecia que a silhueta puxou uma faca de lado e ele começou a ficar preocupado e parou de andar.
         “Brincadeira tem limite Antônio.” – gritou ele.
          A silhueta também parou de andar, a luz da lua iluminou seu rosto e Arnaldo gritou. A imagem o aterrorizou e ele se arrependeu de ter entrado na casa. Ali na sua frente estava o fantasma da noiva, seu rosto podre e olhos vazios não expressavam sentimento e mesmo assim ele sentiu que ela o ia matar.
         “Antônio!” – foi à única coisa que ele conseguiu gritar, pois o terror o mantinha congelado e sem ar.
          Antônio desceu as escadas rapidamente, quando viu a cena correu direto pra porta gritando. A porta estava trancada, ele a esmurrava, chutava e puxava, mas ela não abria. Levi estava bem perto, mas parecia que não via ou escutava nada. A noiva não deu muita atenção a ele e continuava a encarar Arnaldo que por sua vez correu para ajudar o amigo com a porta.
         “Você pensou que iria escapar de mim por toda eternidade querido?” – disse o fantasma se aproximando dos dois.
          A noiva agarrou Arnaldo pelo cabelo e apunhalou no coração. O rapaz ficou agonizando por um tempo enquanto Antônio fazia sua última oração.
        “Some daqui você não tem nada a ver com esse traste.” – disse a noiva enquanto abria a porta.
        “Não, por favor Antônio” – gritou Arnaldo.
         Antônio se espantou ao ver o espírito de Arnaldo sendo segurado pela noiva. Escutou um barulho do outro lado da sala e viu o fantasma de outra mulher que parecia estar sofrendo muito. Lembrou-se da lenda daquela casa e então entendeu que seu amigo era a reencarnação o noivo que de alguma maneira teria escapado da tortura eterna.
         Ele correu e levou Levi embora com ele. Contou a história a todos mais ninguém acreditou. O corpo de Arnaldo nunca foi encontrado pela policia que vasculhou toda a casa e os arredores. Antônio foi internado em um hospício alguns meses depois, dizia estar sendo assombrado pelos três fantasmas. E quanto a casa, continua lá, sozinha e sombria, talvez esperando sua visita...

(Gênero textual - História de Terror. Terça-feira, 18 de agosto de 2009. Posted by Paulo Garcia)


Descritor 1 – (Localizar informações explícitas em um texto) –
      01. Segundo Paulo Garcia, a história do texto se dar
(A)   em volta de uma casa.
(B)   ao redor da cidade.
(C)   numa estação de trem desativada.
(D)  baseada numa lenda urbana.

Descritor 2 - (estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto) –
      02. A palavra “silhueta” no texto, 13º parágrafo, pode ser substituída por

(A)   visagem.
(B)   vulto.
(C)   sombra.
(D)  contorno.

Descritor 4 – (Inferir uma informação implícita em um texto) –
      03. Faz-se inferência no texto, a ideia de que a assombração da casa fosse
(A)   o fantasma da noiva, torturando o noivo e a amante.
(B)   por ser uma casa velha e abandonada.
(C)   por ter ocorrido um assassinato passional.
(D)  porque as pessoas acreditam em histórias de fantasmas.

Descritor 2 – (estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto) –
      04. A palavra “hospício”, no último parágrafo do texto, pode ser substituída por
(A)   casa de repouso.
(B)   asilo.
(C)   manicômio.
(D)  abrigo de maníaco.

Descritor 6 – (Identificar o tema de um texto) –
      05. Segundo Paulo Garcia, o texto trata, principalmente
(A)   de uma casa abandonada e tenebrosa.
(B)   dos fantasmas dos moradores.
(C)   de uma cidade assombrada.
(D)  da sombra de uma moça com a faca no coração.

Descritor 18 – (Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão) -
      06. No trecho “Vamos embora daqui, eu odeio esse lugar”, a expressão em destaque       revela
(A)   pavor do moço pelo lugar.
(B)   admiração pelo lugar.
(C)   apreensão do rapaz pelo amigo.
(D)  afoiteza do amigo pelo desconhecido.

Descritor 7 – (Identificar a tese de um texto) –
      07. No texto, na casa mal assombrada, atualmente defende-se a ideia de que
(A)   o medo ainda se cria em lugares desativados e em casas em ruínas.
(B)   local que há assassinato causa assombração.
(C)   as pessoas que morrem, tornam-se fantasmas, causando medo as outras pessoas.
(D)  as histórias de terror provocam medo em quem as escutam.
  
Descritor 5 – (Interpretar texto com auxílio de material gráfico diverso [propagandas, quadrinhos, foto etc.]) –
      08. De acordo com a imagem abaixo e em consonância com o texto, conclui-se a               ideia de que a casa era assombrada

             (A)   por ser desabitada e apresentar aspecto sombrio.
(B)   pelas pessoas verem fantasmas dos antigos moradores.
(C)   pelo ocorrido do tríplice assassinato.
(D)  pelo desaparecimento do corpo de Arnaldo.

Descritor 12 – (Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros) –
      09. A finalidade do texto é
(A)   causar espanto e aterrorizar o ouvinte.
(B)   causar medo a cidade e as pessoas que passam.
(C)   passar medo e causar suspense no leitor.
(D)  causar receio e espanto para quem passa nas proximidades.

Descritor 10 – (Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa) –
      10. O autor finaliza sua história, expressando-se de forma
(A) crítica.
(B) surpreendente.
(C) humorada.
(D) assustadora.

Descritor 13 - (Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto) - 
11. No trecho  Vamos embora daqui, eu odeio esse lugar, essa fala é de qual personagem?
      (A) narrador.
      (B) Levi.
      (C) Antônio.
      (D) Arnaldo.

Descritor - (Identificar o gênero discursivo) -
12. O gênero desse texto é
      (A) conto.
     (B) humor.
     (C) terror.
     (D) lenda.
                                    GABARITO DA ATIVIDADE
01. (A), 02. (C), 03. (A), 04. (C), 05. (A), 06. (A), 07. (A), 08. (A), 09. (C), 10. (D), 11. (B), 12. (C).

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