quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

LÍNGUA PORTUGUESA - MEU CADERNO 3

INTERPRETAÇÃO - PRODUÇÃO - GRAMÁTICA

                                                   (Carlos Drummond de Andrade)


sábado, 14 de fevereiro de 2015

LEIA O TEXTO A SEGUIR,

depois responda as questões de 1 a 12.


                                CASA MAL ASSOMBRADA

          Eram duas e meia da manhã quando Levi, Antônio e Arnaldo andavam pelas calçadas sujas de sua cidade. Estavam vagando a mais três horas sem nada pra fazer, Levi odiava fazer isso, preferia estar em casa assistindo TV e comendo, mas sempre acompanhava os amigos porque não gostava de ficar sozinho. Chegaram à antiga estação de trem da cidade que já desativada havia muitos anos.
        “Vamos embora daqui, eu odeio esse lugar” – pediu Levi tentando não parecer aterrorizado.
        “Deixe de ser medroso” – respondeu Arnaldo. “Vamos até a casa abandona da colina e dar uma olhada, estou precisando de uma aventura.” – completou ele com a voz excitada.
         Antônio riu e começou a andar em direção a casa, os outros dois o seguiram. Chegaram ao portão de entrada e olharam aquela imensa construção, era linda e tenebrosa ao mesmo tempo.
         Os três jamais viram alguém morando naquele lugar, o dono da propriedade a trancou a mais de cinqüenta anos e não voltou mais, nunca vendeu ou alugou. Os moradores da região até evitavam passar perto com medo, diziam que o lugar era assombrado.
         Anos atrás o filho do prefeito daquela cidade estava se casando com uma moça que morava ali. No dia do casamento, a melhor amiga da noiva a levou para a casa do prefeito dizendo que queria mostrar-lhe algo. Chegando lá elas sobem até o quarto onde o noivo dormia e o encontram na cama com outra mulher. Em um momento de desespero a noiva desce até a cozinha pega uma faca e mata o noivo e a amante. Momentos depois, ela não conteve a agonia e enfiou a faca em seu coração. Supostamente os fantasmas dos três ficaram na casa onde diz à lenda que o fantasma da noiva tortura os outros dois.
         Arnaldo foi o primeiro a entrar, pulou o portão e foi em direção a casa. Olhou para trás e viu os outros dois pulando também e continuou até chegar à porta. Levi ficou parado no meio do caminho.
        “Eu não entro ai, estou sentindo mal, alguma coisa me diz que agente deveria ir embora.” – disse o rapaz com voz tremula.
         Os outros dois não deram importância. Voltaram-se para casa e olharam pela janela. Eles se espantaram porque podiam ver muito bem o que tinha dentro da casa somente com a iluminação da lua que entrava pelas janelas. A sala de entrada era enorme e toda a mobília parecia estar lá, porem coberta com lençóis.
         “Opa, a porta da frente esta aberta.” – Disse Antônio já abrindo a porta.
          Os dois entraram, o lugar era lindo, descobriram alguns móveis e viram que estava tudo intacto, parecia que alguém estava cuidando de tudo. Antônio decidiu subir para o próximo andar e ver se achava algo interessante. Arnaldo foi ver outro cômodo. Momentos depois Arnaldo escuta Antônio descendo as escadas.
          “Vamos embora, Levi esta nos esperando lá fora.” – Gritou Arnaldo para que seu amigo pudesse escutá-lo.
          Antônio não respondeu, Arnaldo se virou para ir até a saída e deu de cara com alguém, não pode ver quem era porque a luz vinha de trás da pessoa então só via a silhueta. Uma coisa ele tinha certeza, estava vestida de noiva. Seu corpo congelou então ele riu tentando disfarçando o susto.
         “Muito boa essa Antônio, quase me mata de susto. Vamos embora, já tive muito pra uma noite, esse lugar esta me dando arrepios.” – disse Arnaldo irritado.
         Antônio continuou calado. Arnaldo ficou inquieto olhando o suposto amigo e começou a andar em sua direção, a silhueta também se movia ao seu encontro. Algo mudou na visão de Arnaldo, parecia que a silhueta puxou uma faca de lado e ele começou a ficar preocupado e parou de andar.
         “Brincadeira tem limite Antônio.” – gritou ele.
          A silhueta também parou de andar, a luz da lua iluminou seu rosto e Arnaldo gritou. A imagem o aterrorizou e ele se arrependeu de ter entrado na casa. Ali na sua frente estava o fantasma da noiva, seu rosto podre e olhos vazios não expressavam sentimento e mesmo assim ele sentiu que ela o ia matar.
         “Antônio!” – foi à única coisa que ele conseguiu gritar, pois o terror o mantinha congelado e sem ar.
          Antônio desceu as escadas rapidamente, quando viu a cena correu direto pra porta gritando. A porta estava trancada, ele a esmurrava, chutava e puxava, mas ela não abria. Levi estava bem perto, mas parecia que não via ou escutava nada. A noiva não deu muita atenção a ele e continuava a encarar Arnaldo que por sua vez correu para ajudar o amigo com a porta.
         “Você pensou que iria escapar de mim por toda eternidade querido?” – disse o fantasma se aproximando dos dois.
          A noiva agarrou Arnaldo pelo cabelo e apunhalou no coração. O rapaz ficou agonizando por um tempo enquanto Antônio fazia sua última oração.
        “Some daqui você não tem nada a ver com esse traste.” – disse a noiva enquanto abria a porta.
        “Não, por favor Antônio” – gritou Arnaldo.
         Antônio se espantou ao ver o espírito de Arnaldo sendo segurado pela noiva. Escutou um barulho do outro lado da sala e viu o fantasma de outra mulher que parecia estar sofrendo muito. Lembrou-se da lenda daquela casa e então entendeu que seu amigo era a reencarnação o noivo que de alguma maneira teria escapado da tortura eterna.
         Ele correu e levou Levi embora com ele. Contou a história a todos mais ninguém acreditou. O corpo de Arnaldo nunca foi encontrado pela policia que vasculhou toda a casa e os arredores. Antônio foi internado em um hospício alguns meses depois, dizia estar sendo assombrado pelos três fantasmas. E quanto a casa, continua lá, sozinha e sombria, talvez esperando sua visita...

(Gênero textual - História de Terror. Terça-feira, 18 de agosto de 2009. Posted by Paulo Garcia)


Descritor 1 – (Localizar informações explícitas em um texto) –
      01. Segundo Paulo Garcia, a história do texto se dar
(A)   em volta de uma casa.
(B)   ao redor da cidade.
(C)   numa estação de trem desativada.
(D)  baseada numa lenda urbana.

Descritor 2 - (estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto) –
      02. A palavra “silhueta” no texto, 13º parágrafo, pode ser substituída por

(A)   visagem.
(B)   vulto.
(C)   sombra.
(D)  contorno.

Descritor 4 – (Inferir uma informação implícita em um texto) –
      03. Faz-se inferência no texto, a ideia de que a assombração da casa fosse
(A)   o fantasma da noiva, torturando o noivo e a amante.
(B)   por ser uma casa velha e abandonada.
(C)   por ter ocorrido um assassinato passional.
(D)  porque as pessoas acreditam em histórias de fantasmas.

Descritor 2 – (estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto) –
      04. A palavra “hospício”, no último parágrafo do texto, pode ser substituída por
(A)   casa de repouso.
(B)   asilo.
(C)   manicômio.
(D)  abrigo de maníaco.

Descritor 6 – (Identificar o tema de um texto) –
      05. Segundo Paulo Garcia, o texto trata, principalmente
(A)   de uma casa abandonada e tenebrosa.
(B)   dos fantasmas dos moradores.
(C)   de uma cidade assombrada.
(D)  da sombra de uma moça com a faca no coração.

Descritor 18 – (Reconhecer o efeito de sentido decorrente da escolha de uma determinada palavra ou expressão) -
      06. No trecho “Vamos embora daqui, eu odeio esse lugar”, a expressão em destaque       revela
(A)   pavor do moço pelo lugar.
(B)   admiração pelo lugar.
(C)   apreensão do rapaz pelo amigo.
(D)  afoiteza do amigo pelo desconhecido.

Descritor 7 – (Identificar a tese de um texto) –
      07. No texto, na casa mal assombrada, atualmente defende-se a ideia de que
(A)   o medo ainda se cria em lugares desativados e em casas em ruínas.
(B)   local que há assassinato causa assombração.
(C)   as pessoas que morrem, tornam-se fantasmas, causando medo as outras pessoas.
(D)  as histórias de terror provocam medo em quem as escutam.
  
Descritor 5 – (Interpretar texto com auxílio de material gráfico diverso [propagandas, quadrinhos, foto etc.]) –
      08. De acordo com a imagem abaixo e em consonância com o texto, conclui-se a               ideia de que a casa era assombrada

             (A)   por ser desabitada e apresentar aspecto sombrio.
(B)   pelas pessoas verem fantasmas dos antigos moradores.
(C)   pelo ocorrido do tríplice assassinato.
(D)  pelo desaparecimento do corpo de Arnaldo.

Descritor 12 – (Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros) –
      09. A finalidade do texto é
(A)   causar espanto e aterrorizar o ouvinte.
(B)   causar medo a cidade e as pessoas que passam.
(C)   passar medo e causar suspense no leitor.
(D)  causar receio e espanto para quem passa nas proximidades.

Descritor 10 – (Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa) –
      10. O autor finaliza sua história, expressando-se de forma
(A) crítica.
(B) surpreendente.
(C) humorada.
(D) assustadora.

Descritor 13 - (Identificar as marcas linguísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto) - 
11. No trecho  Vamos embora daqui, eu odeio esse lugar, essa fala é de qual personagem?
      (A) narrador.
      (B) Levi.
      (C) Antônio.
      (D) Arnaldo.

Descritor - (Identificar o gênero discursivo) -
12. O gênero desse texto é
      (A) conto.
     (B) humor.
     (C) terror.
     (D) lenda.
                                    GABARITO DA ATIVIDADE
01. (A), 02. (C), 03. (A), 04. (C), 05. (A), 06. (A), 07. (A), 08. (A), 09. (C), 10. (D), 11. (B), 12. (C).

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

PARA LER E RESPONDER



RESTOS DO CARNAVAL 

             Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu. 
             No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz. 
            E as máscaras? Eu tinha medo, mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.
Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma de minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça - eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável - e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice. 
Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com as quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira. 
           Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga - talvez atendendo a meu apelo mudo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel - resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma. 
          Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo menos estaríamos de algum modo vestidas - à idéia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha - mas ah! Deus nos ajudaria! não choveria! Quanto ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho, que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola. 
           Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem. Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa. 
           Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge - minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa - mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil - fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava. 
          Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria. 
           Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos, já lisos, de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa.

 CLARICE LISPECTOR

INTERPRETAÇÃO ESCRITA

     01. De acordo o texto, a autora se refere (D1)
(A) a seu último carnaval.                         (C) as fantasias carnavalescas.
(B) a sua infância.                                     (D) as quartas-feiras de cinzas.

     02. No trecho “... eu dele pouco participava…” o pronome em destaque está substituindo (D2)
(A) lança-perfume.                                     (C) bloco.
(B) baile.                                                    (D) carnaval.

     03. A autora afirma que na casa dela ninguém tinha cabeça para o carnaval de criança porque (D11)
(A) havia outros afazeres do que se preocupar com fantasia de criança.
(B) sua mãe estava doente e precisava de cuidado.
(C) seus cabelos eram lisos e necessitavam ser frisados.
(D) isso era coisa de gente adulta.

      04. No trecho “... Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.” O uso da repetição ENFIM, ENFIM, utilizado no texto, foi um recurso para provocar (D19)
(A) ansiedade.                                           (C) desespero.
(B) inquietação.                                         (D) comoção.

      05. O gênero desse texto é (D9)
(A) relato.                                                  (C) crônica.
(B) diário.                                                  (D) conto.

     06. O texto trata, principalmente (D6)
(A) lembranças de minha infância.
(B) minha primeira fantasia.
(C) sonho de uma menina.
(D) meu último carnaval.

     07. A finalidade desse gênero é (D12)
(A) informar.                                              (C) relatar.
(B) convencer.                                          ( D) distrair.

     08. A história se passa (D10)
(A) na porta do pé de escada do sobrado.
(B) na casa de uma amiga.
(C) No bairro da casa dela.
(D) Na farmácia.

     09. A tese defendida pela autora (D7)
(A) é o sonho de ser moça, sair de uma infância vulnerável, escapar da meninice.
(B) é o episódio responsável que quebrou sua expectativa em relação ao carnaval.
(C) se dá no episódio em que ela ganharia sua primeira fantasia.
(D) era o modo como a família a permitia participar do carnaval.

     10. Em que pessoa a autora escreveu esse texto?

GABARITO DA ATIVIDADE

        01. (A), 02. (D), 03. (B), 04. (A), 05. (D), 06. (D), 07. (C), 08. (A), 09. (A), 10. 1ª pessoa.


quinta-feira, 28 de agosto de 2014

COLETÂNEA DE CRÔNICAS

Nessa coletânea está todas as crônicas produzidas pelos alunos durante a Olimpíada de Língua Portuguesa, em 2014.


A BOA APARÊNCIA DA VIZINHANÇA

O bairro que moro é bem calmo, tem poucas casas, mas é gostoso viver lá. Quem olha de passagem percebe uma aparência de tranquilidade, uma coisa serena, um lugar ideal para morar.
Pois bem, essa rua fica perto de uma escola desativada e ainda nas proximidades da estrada que segue para o centro da cidade.
O relacionamento entre as pessoas que habitam naquela ruela é bem intenso, funciona como se fosse uma grande família, cada qual exercendo sua função e no fim todos contribuindo entre si. Uma das coisas visíveis é a solidariedade que há entre todos. O ato de compartilhar, dividir entre si, o que todos têm.
Claro, esta rua é habitada por pessoas trabalhadoras, que vivem de seu trabalho, uns trabalham em Jericoacoara, como é o caso de minha mãe, outro de mototáxi, como é o caso de meu padrasto, outros trabalham na agricultura para poder tirar seu sustento.
É evidente que minha rua não vive só do trabalho, também as pessoas param para se divertir, como é hábito de eles irem as festas, aos eventos sociais, assistir uma partida de futebol, ir a um bingo, e também as reuniões de pais e mestres. Claro que às vezes nem todos vão a eventos escolares, porque nem todas as pessoas valorizam o ambiente escolar, por dizerem que só conversam coisas que não são de seus interesses.
Nem tudo que a gente olha, pode se dizer que é bom, pois as aparências enganam. É o caso da calmosidade de minha vizinhança. Parece que são sempre tranquilos, mas ocorre de vez em quando uma discussão, isso não é de se admirar, porque sempre a gente ver acontecer.
Mas o que importa é o dia a dia das pessoas, o que elas podem cooperar umas com as outras, cada qual dando o melhor de si. Isso é o que se chama de uma boa vizinhança.

Alexandre Santos Vasconcelos. O gênero crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro. 4ª edição. Turma: 9º A (tarde). Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho. Jijoca de Jericoacoara-Ce, Julho/2014. 



UM OLHAR DIFERENTE

A educação em Jijoca de Jericoacoara se tornou bastante frágil, infelizmente se encontra com uma realidade preocupante, onde o governante local direciona-se para determinado foco da gestão, professores mal remunerados, famílias desestruturadas e acompanhamento escolar por parte dos pais um pouco escasso. Teve-se uma queda na educação, estávamos em 2º e regredimos para o 3º lugar, isso a nível da CREDE, é evidente que isso já vinha nos anos anteriores caindo, mas só veio piorar de dois anos pra cá, quando começou as mudanças na educação como um todo. A situação é preocupante, porque a caída foi notável e visível a sociedade, mas o regresso se dá de forma lenta, quase não perceptível.
Observei uma estudante em sua fase de adolescência, essa pessoa era muito rebelde, juntava-se a outros, gerando uma indisciplina escolar, com essa atitude o professor parava sua aula, para chamá-la atenção, com isso tirava a oportunidade de aprendizagem do restante da turma, talvez esse seja um dos fatores que vem fazendo a educação cair, mas não há dúvidas que existem outros a serem refletidos e trabalhados para melhorar o ensino/aprendizagem dos discentes. É claro que todos têm que dar sua colaboração para o aprimoramento e o incentivo ao que se busca: o aprender.
Percebo que os professores dão o melhor de si para qualificar seu trabalho e ao mesmo tempo deixar o ensino/aprendizagem gostoso de aprender. Assim como os professores, os pais também têm que terem a consciência de não responsabilizar somente a escola pela educação dos filhos deles, mas somar parceria com a educação.
Como estudante fico triste, ao me deparar com essa situação educacional, que vem a cada dia se intensificando, é necessário que todos vistam a camisa da escola e se deem as mãos, visando apenas um objetivo: o ensino de qualidade.
Termino essa crônica alertando os governantes de Jijoca: a educação precisa de recursos acessíveis aos educadores e o reconhecimento por seu trabalho. E essa valorização só vai depender de vocês que detém o poder.  E como aluna do meio, preciso de uma educação desenvolvida, professores felizes pelo que fazem e uma escola de alto nível, que garanta o futuro promissor de todos e dê uma preparação sólida e profissional.

Ana Patrícia da Costa Albuquerque. O gênero Crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro. 4ª edição. Turma: 9º A (manhã). Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho, Jijoca de Jericoacoara-Ce, Julh

NOSSA! QUE LOUCURA!
     
           Era meio dia, nesse momento eu estava em casa, quando de repente ouvi as pancadas na mesa, saí para fora e vejo meu vizinho batendo em sua esposa. Ele é um dependente químico, sempre ao chegar em casa tinha por diversão insultar sua mulher, e o pior de tudo, era que ele a agredia. Foi o que aconteceu nesse dia. Isso não é novidade! É hábito velho. As pessoas daquela rua já estavam incomodadas por aquilo ser costumeiro, estava precisando daquilo chegar ao fim, antes que o pior acontecesse.
            Seus familiares já viviam angustiados, de sempre ver aquela cena acontecer. O mais importante era que o filhinho deles nunca presenciava cena daquele tipo, para a criança de um aninho era um horror.   Eu e minha família ficamos de telespectadores para a cena que ocorreu, mas com pena dela, porque a moça estava apanhando muito. De repente essa discussão durou quase 2:00 horas, quando chegou num momento um parentesco da jovem e o separou a confusão.
          Esse casal perante a vizinhança era visto como pesadelo, por causa das brigas de vez em quando, a rua não tinha um pouco de paz, quando a gente menos esperava explodia aquele alarido, não era outro casal, eram eles se matando. Para resolver esse problema, a jovem após a discussão teve que arrumar suas trouxas e ir embora, não dava mais para aguentar aquela situação. A vizinhança já estava no ponto de chamar a polícia para dar um basta naquele desassossego.
O rapaz por não apresentar boa conduta hoje está preso, esse cometeu um assassinato lá quando morava na região do estado do maranhão. A mulher vive com a família e trabalha em Jericoacoara. Logo ela precisava de uma ocupação para dar uma vida digna ao filho que tem.
Hoje o bairro vive mais calmo, mais tranquilo, é evidente que há de vez em quando uma discussãozinha entre um casal e outro, mas isso acontece silenciosamente, a vizinhança nem sempre percebe, só é percebida quando falam um pouco alto. Mas isso sempre ocorre em qualquer lugar. O certo é que hoje estamos vivendo em paz.

Cristina Silva. O gênero crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro, 4ª edição. Turma: 9º A. Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho. Jijoca de Jericoacoara-Ce, Julho/2014.




MINHA TERRA NATAL, NÃO HÁ OUTRA IGUAL

Quando me refiro que não há outra igual, quero dizer que é gostoso viver aqui, maravilhoso é ser filha desta terra. Onde vi crescer, desde as primeiras casinhas as margens da lagoa, na época um pouco rústica, selvagem, por que selvagem? “Porque era ainda desabitada, com poucos moradores.”
Você vem e me pergunta, por que seu lugar é tão apreciado?
__ Pelo fato de ser calmo, agradável e apresentar uma serenidade total, que vai além da simplicidade das pessoas que moram aqui. Falei simplicidade? Sim, esse povo além de pacato tem uma enorme gentileza, é receptivo, não posso esquecer de dizer, que é um povo solidário com quem os visita.
            Observo que nessa terrinha vários turistas passam por aqui, admiram a sua beleza, a hospitalidade do povo, cultuam a cultura local e saboreiam os pratos típicos da região.
O que mais atraem nesses visitantes é a beleza criada pela natureza como a praia de Jericoacoara, considerada no mundo como uma das mais belas, a pedra furada que encanta quem olha, a gruta da onça, a caverna do encanto entre outras atrações naturais.
O povo daqui também reconhece que essa terra tem sua beleza e também uma grande fartura, pois no inverno, eles plantam e colhem o necessário para sua subsistência, como o feijão, a melancia, a mandioca, o milho etc.
            Se há lugares paradisíacos esse é um, ao redor dele estão as lagoas, as dunas, o pôr- do- sol, à tardinha é uma maravilha!
__ Está encantado com minha terra? Então vem conhecer a gente. Provar dos sabores de nossa gustação. Uma coisa é certa, você vai voltar outras vezes. Por que quem bebe da água dessa terra não quer mais ir embora!

Érica Barros. O gênero crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro. 4ª edição. Turma: 9º A (tarde). Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho. Jijoca de Jericoacoara-Ce, Julho/2014.



AS PESSOAS QUE PASSAM EM MINHA RUA

Sento-me na área de minha casa, olho para os lados, observo as pessoas que passam, até me espanto. Já é tarde e o movimento é grande, sendo que sempre é de manhã.
São pessoas diferentes, cada qual com seu jeito, algumas alegres, outras estranhas, sem fisionomias no rosto, não discrimino estas pessoas, que olho e vejo que são tristes, agora deve se perguntar como sei que são tristes? Se disse que não tinha fisionomias, tá aí a resposta: triste é aquela pessoa que não consegue sorrir, sempre mostra uma cara carrancuda. E o riso era o que eu nunca via naquelas pessoas.
Os idosos, pessoas da terceira idade, são sempre alegres, até mais do que os jovens, talvez pelo fato de já terem vivido muito, sem falar nas histórias que contam de sua mocidade, não há quem conte melhor!
Há os garotos que passam por aqui de bicicleta, sempre com uma algazarra, divertem-se como ninguém. Minha rua é movimentada mesmo, no fim de semana, até os turistas passam por aqui, para ir a Jericoacoara. Dá até um certo orgulho de morar aqui, sabe? Ela é calma, mas existe fim de semana que ela é bem agitada, passa um de caminhão, passa outro de carro e ainda passa o motoqueiro. Sem falar na graça que acontece, quando os turistas passam. As crianças correm porta afora para dar tchau para eles, e eles correspondem com o mesmo gesto.
À noite, por volta das oito horas, meninos e meninas vão sentar no banquinho que há próximo de minha casa, contam lorotas, dão gargalhadas, dizem piadas ou anedotas, é bom saber que nessa rua as pessoas são felizes.
Claro, minha rua não é perfeita, de vez em quando aparece brigas, discussões, desavenças, mas isso acontece nas melhores ruas. Não posso esquecer das fofocas, inclusive, já tem as pessoas encarregadas para isso. Mas para falar a verdade, toda rua tem que ter uma fofoqueira de plantão, bom, não acha?
Uma rua perfeita não é aquela silenciosa que parece que seus habitantes não existem, não! Dá até angústia em falar nisso, uma ruela perfeita é aquela que tem um pouco de tudo. Um pouco de algazarra, diversão, gente amiga, simpática, um pouco barulhenta e nada, nada mesmo silenciosa.
Aí sim é uma rua perfeita, e eu posso dizer que minha rua é perfeita, porque ela tem um pouco de tudo isso. Não me vejo morando noutra rua, outra igual a esta, só minha rua.

Fca Gracilene de Carvalho. O gênero Crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro,
 4ª edição. Turma: 9º A (manhã). Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho. Jijoca de Jericoacoara-Ce, Julho/2014.

(Esta crônica foi a escolhida pela comissão julgadora escolar)


JIJOCA, GAROTA GRACIOSA, DE BELEZA ESTIMÁVEL!

É inesquecível quando se olha para as margens da lagoa, contendo aquela volumosidade de água cristalina, em suas costas aquela vegetação rasteira com enormes coqueiros.
Mais lindo quando se vê aquelas barracas de palha repleta de pessoas curtindo aquele frescor e tomando uma aguinha de coco. Nossa! É impressionante! Isso é um paraíso? Não.
É uma garota de apenas 22 anos, que recebe e acolhe a todos os seus visitantes com amor e recepção como merecem.
Como é jovem consegue atraí-los com seu encanto e beleza, oferecendo hospitalidade em suas pousadas, casas de pescadores, hotéis mais arrojados ou em simples casebres.
É evidente que seu povo o disponibiliza os variados transportes para conhecer as belezas naturais da terra. Como o buggy, o cavalo e outros meios. Mostrando o que de melhor nossa terra tem: a pedra furada, o banho de praia, o pôr-do-sol, ao entardecer; o passeio a gruta da onça, o cavalgar sobre as belas dunas, o banho nas lagoas mais famosas entre outras.
Depois o deliciamento dos pratos mais saborosos da cidade, acompanhado de uma bebida adequada. É certo que essa menina é atraída por todos e conhecida nacionalmente e internacional.
É evidente como qualquer outra pessoa, além da beleza em alguns momentos existem as situações inadequadas, aquilo que a gente gostaria que não acontecesse, mas não podemos evitar. São os transtornos que ocorrem ao seu entorno. Como as desavenças, as briguinhas, os roubos e assaltos, a ignorância por parte de alguns e os descontratempos.
Fora isso a vida segue uma maravilha e o atendimento aos visitantes são de primeira e com uma recepção à altura dos estrangeiros.
É tão notável que os que vão sempre retornam, porque nossa água é tão gostosa que sua sede só mata quando a bebe. Por isso um dos pontos estimáveis dessa menina, chamada Jijoca, é a sedução e o cativamento dos povos que por aqui passam.
A primeira impressão é a que fica, assim diz o ditado do povo. Uma vez bem recebido nunca mais a esquece.

Francisca SterfanyO gênero crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro. 4ª edição. Turma: 9º A (tarde). Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho. Jijoca de Jericoacoara-Ce, Julho/2014.


LADRÃO DESCONHECIDO

Em minha comunidade está acontecendo frequentemente vários furtos, um deles foi agora pouco tempo. Esse lugar que me refiro é o Córrego da Forquilha, este fica no interior do município, com uma distância aproximadamente de 9km. Segurança? Nem mesmo na própria sede a segurança é boa quanto mais na zona rural!
Por volta das 7:30, numa noite calma, onde ninguém desconfiava de nada, uma coisa surpreendente aconteceu: um homem chega numa moto com um capacete e invade uma casa de um casal, onde há um comércio, mas por falta de sorte só tinha a mulher, o homem chega e põe uma arma no seu pescoço e manda passar todo o dinheiro. Ela muito nervosa, passa todo o dinheiro ao ladrão, este sai como um relâmpago.
Ela começou a gritar e chorar, pois não acreditava no que tinha acabado de se passar. Ela havia sofrido um assalto, imagine o que se passou em sua cabeça! Após 5 minutos, o marido da mesma chega, mas já era tarde, o ladrão já tinha ido e levado o dinheiro, e até hoje nunca ninguém descobriu quem era o malfeitor.
O povo agora está se prevenindo mais, estão colocando portões de ferro em suas residências. Outros que podem mais, estão contratando vigias, é o caso dos comércios. A polícia da cidade está fazendo ronda uma vez por semana. Diminuiu os assaltos e roubos, mas a população está cada mais prevenida.

Francisca Vandeirla. O gênero crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro. 4ª edição. Turma: 9º A (tarde). Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho. Jijoca de Jericoacoara-Ce, Julho/2014.

JIJOCA, MENINA AGRESSIVA!

É uma cidade mocinha, encantada por todos que passam por aqui, é fácil encontrá-la, está localizada na zona Norte do estado do Ceará, oferece a todos que aqui vêm hospitalidade e bem estar social, além de saciar das belezas naturais. Os turistas que vão sempre voltam, logo quem bebem da água desta terra não consegue esquecê-la. 
É melancólico vê-la que aos poucos essa terra está se tornando violenta, isso poderá no futuro próximo afetar o fluxo turístico, como se sabe que ao crescer, junto vem as vantagens e as consequências. Roubos, assaltos e furtos vêm se intensificando nos últimos anos. Estamos vivendo um momento de insegurança nessa cidadezinha que antes era pacata. O número populacional aumentou e os contrastes vieram juntos.
No dia treze de maio deste ano um fato imoral e absurdo ocorreu em Jijoca. Um senhor de certa idade foi morto por quatro pessoas, essas pessoas souberam que o homem ia pagar no banco o dinheiro que estava em sua residência. Quando chegaram lá pediram tudo o que ele tinha. E o homem dizia não saber o que eles queriam. Foi quando a vítima começou a correr ao redor do seu quarto e aí pegaram-no e mataram de faca. Depois já quase morto tiraram sua calça e o enforcaram.
Horas depois, seu filho como de costume foi vê-lo, como estava, ao chegar estranhou ver a casa toda escancarada, e ao adentrar viu seu pai morto e seu desespero foi grande. Observando aquela cena catastrófica ficou estonteado sem saber o que fazer. Depois do noticiário começou se aglomerar muitas pessoas. Pela parte da manhã foi enterrado o corpo do falecido.
A polícia junto com a cooperação da população agiu com rapidez e conseguiu prender os malfeitores, assim eles pagarão pelo crime praticado. Assim diz o ditado: Aqui se faz, aqui se paga.

Irlândia Silva Alves. O gênero crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro. 4ª edição. Turma: 9º A (tarde). Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho. Jijoca de Jericoacoara-Ce, Julho/2014.


OS ANIMAIS DEVEM SER CRIADOS PRESOS E NÃO SOLTOS!

Estava em casa assistindo TV. Quando ouço minha mãe chamar:
__ Anderson, vá até a casa de sua avó. Diga a ela que amanhã é dia dela tirar o dinheiro de sua aposentadoria. Às 7:30, eu vou pegá-la para a gente ir a cidade.
Após que recebi o recado, peguei minha bicicleta meio zarolha e fui ao meu lugar de destino: a casa da vovó. 
A bicicleta não ajudava muito, logo não andava muito boa, seu nome era “Serra Olho”, esse nome eu dei pelo fato da corrente dela está sempre estalando. Mas mesmo assim ela é minha companheira de viagem, só está faltando colocar um conjunto novo.
Até chegar à casa da vovó, fui andando pela margem da estrada, enquanto caminhava vi meu tio e minha tia debaixo do cajueiro que fica na cozinha de sua casa. Vi meus primos brincando ao redor da casa, mais na frente me deparei com um acontecido, alguém havia se acidentado.
Um homem tinha atropelado um porco, a sorte dele que vinha devagar, por isso não se feriu muito. Mas o porco morreu. E a moto ficou um pouco acabada. O rapaz foi levado para o hospital com alguns ferimentos, e o porco levado para a casa do dono.
O povo daqui tem um hábito de criar seus bichos soltos na rua, nas estradas e dentro dos quintais alheios. É claro que há a lei que nenhum bicho deve ser criado solto, mas preso nas propriedades de seus respectivos donos. Mas infelizmente a população desconhece a lei, e por não conhecê-la tornam-se ignorantes.
Foi o que aconteceu com o dono do porco. Ele queria que o motoqueiro pagasse o porco. Mas alguém o interveio, dizendo: “amigo para o rapaz pagar a morte de seu animal era preciso que ele estivesse dentro do seu cercado. E se você levar isso as autoridades quem poderá ressarcir o que aconteceu é você. ”
Saí de lá, continuei a andar sossegadamente, como é bom andar de bicicleta, isso é saudável ao nosso corpo. As pessoas que moram na zona urbana não têm toda essa comodidade, uma vez que o trânsito é intenso, o ar um pouco poluído e o risco para andar cedinho é grande.
Finalmente cheguei ao meu lugar de destino. Dei o recado conforme minha mãe havia pedido. Falei do acidente que vi enquanto vinha para cá. Ela me convidou para entrar, havia feito um bolo a duas horas atrás. Ainda estava morninho.
Depois de toda uma caminhada era necessário se abastecer com alguma coisa que fortalecer ao tecido ósseo.

Manoel Anderson Batista Roque. O gênero crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro. 4ª edição. Turma: 9º A (tarde). Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho. Jijoca de Jericoacoara-Ce, Julho/2014. 


A VERGONHA

Paro um pouco, e começo a pensar no que vou dizer do lugar onde vivo, falar desse lugar que conheço desde pequeno me desperta prazer e satisfação. Agora me sento numa mesinha pequena e vou narrar minha crônica.
Porque não me sinto prazeroso em falar do lugar que moro? Por mim senti envergonhado pelo que as pessoas praticam, muitas vezes nos enojam, deixando a gente revoltado pelo que ver. Não põem limites em suas próprias línguas, quando o assunto é a vida alheia. Simplesmente não a respeitam, eles não estão nem aí, até mesmo para seus próprios lares. Não ligam em acolher coisas que não prestam, que são fúteis, deveriam ter mais cautela em determinada coisa.
Imagine só, um lugar cheio de crianças, que desde cedo aprendem coisas inúteis, vivem com pessoas que as influenciam a seguirem um caminho que não é bom, nem para elas e nem para o meio onde vivem.
Tem casos que são impressionantes, como é o caso dos pais de uma menina pequena que colocaram um cabaré dentro da própria residência. Aí, eu me pergunto:
__ Qual o futuro que uma criança dessa vai ter? Se os próprios pais que deveriam ser exemplos e somar com as demais pessoas da comunidade para pôr fim em lugar como esse, abrem as portas da casa para acolher a imoralidade, e apoiar a destruição das famílias, sendo que esta é a moral dos bons costumes.
É claro que a criança e os adolescentes são protegidas pelo ECA, mas cadê as autoridades para pôr fim nesse tipo de comércio? Que a gente queira ou não, mas já virou rotina das casas daqui ser bordel, encontros de homens e mulheres às claras vistas. Muitos adolescentes até já pegaram casais praticando cenas eróticas, logo como é no interior as pessoas dormem um pouco mais tarde.
A população é ciente do que digo. Mas muitos temem por sua vida, às vezes as pessoas acham melhor calar do que denunciar, assim não se mete em nenhuma encrenca e evita de perder a vida.
Se continuar do jeito que vai, nunca vamos ser uma comunidade bem vista ou até admirada, precisa-se dar um basta nisso, já estou fazendo minha parte narrando esse texto, mostrando cenas que me deparo todo dia, cronicando assim esse tema.

William Carlos Barros Fonteles. O gênero Crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro. 4ª edição. Turma: 9º A (manhã). Prof. Francisco Antônio de Paula gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho. Jijoca de Jericoacoara-Ce, Julho/2014.



FOFOCA

Moro do outro lado do córrego, há uma barragem feita para possibilitar o trânsito das pessoas, veículos e animais. A ruela onde está situada a casa do meu avô não é extensa, logo a gente reside no distrito da cidade. Do centro até a casa do vovô é aproximadamente 11km. Nessa rua o povo são faladores e em especial meu avô. 
Às vezes quando eu vou a casa dele, fico espantada por ver que ele sabe da vida de todo mundo. E se chega alguém para conversar, aí sim, vira dia e noite mexericando a vida alheia. Pois bem, de vez em quando eu vou a sua casa por morar pertinho dele. Falar dos outros já virou cena do cotidiano.
Muitas vezes uma pessoa passa por ele e o cumprimenta, seja pela manhã ou tarde, depois que esta se afasta, ele já tem algo para dizer dessa criatura. Se ele já souber mexerico dessa pessoa, em pouco tempo todos que moram na rua saberão.
Meu tio, Benedito, que também mora na mesma rua, chega lá por volta das 6 horas e passam o restante do tempo falando da vida dos outros, lá falam de tudo! Imagine você lá, pra ver. Há certo momento que me irrito quando presencio cenas desse tipo, mas infelizmente é o que ele faz todo dia. Esteja só ou com outro indivíduo.
Alguns dos meus tios já até pediram que ele se ocupasse com alguma coisa para ver se deixava de fofocar da vida alheia, porque existem pessoas que se incomodam, às vezes ficam esbravecidos, só não fazem algo fora do comum por ser uma pessoa idosa. Mas muitos já reclamaram e pediram que os filhos dessem algo para ocupá-lo, pois não saberiam até onde mais o respeitariam.
Mas que nada, aos domingos, ele frequenta o grupo de idoso, aí sim é o momento para falar dos outros, juntos com os companheiros. Quando está em casa coloca sua cadeira na área, para observar quem passa ou deixa de passar durante o dia. Essa é a sua atividade diária.

Antônia Brena Brandão da Silva. O gênero Crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro, 4ª edição. Turma: 9º B (tarde). Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho, Jijoca de Jericoacoara, Julho/2014.   


FUTEBOL NA MINHA RUA

Sempre no sábado, os meninos costumam bater uma pelada no campinho que fica no quintal da casa de dona Maria, a avó do Vitor. Neste dia, eu estava assistindo TV, quando um dos moleques me chama para jogar.
Ao chegar no campo, fomos dividir os times, quatro para cada lado, inclusive o goleiro. Um dos meninos não gostou do time que ficou, logo dizia que era fraco. Outro participante da equipe ouvindo aquilo se chateou e acabou provocando uma confusão à toa.
Danilo, um moreninho, que gosta de se meter naquilo que não é chamado, entrou na briga, logo se mostra ser valentão. Os outros jogadores dão um basta nisso. Tiago, meu primo, acaba dizendo:
__ Galera, viemos aqui para jogar e não para armar confusão.
A partida então começa, o time de William já inicia perdendo o jogo, quando Eduardo e Danilo dão uma trombada, um já olha para o outro com ar de briga, mas só ficou nisso. Continuamos o jogo, quando de repente o moreninho dá um chute em Edu, este se vê ofendido e dar um soco em Danilo, os outros meninos param a partida para separar a confusão.
Infelizmente, a brincadeira que poderia terminar bem acabou como se estivesse numa arena de MMA ou UFC. 
William Sousa. O gênero crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa. Julho/ 2014.


O DIA A DIA DA MINHA RUA

O lugar que moro é um povoado pequeno, fica a alguns quilômetros da cidade. É chamado de Córrego da Forquilha, os moradores mais velhos dizem que o rio que corre, formava uma forquilha, daí o nome do vilarejo.
As pessoas aqui são hospitaleiras e receptíveis. Vivem da agricultura, do comércio, da pesca, do artesanato, e da prefeitura da cidade.
Já na rua que resido a coisa é bem diferente. Há umas senhoras que gostam de um mexerico. E quando se juntam na hora do trabalho aí sim rola uma fofoca adoidada.
Tal dia minha mãe mandou dar um recado na casa vizinha, de uma mulher chamada Cilene. Esta senhora gosta de uma fofoquinha, é um hábito diário dela, parece que já nasceu fofocando.
Toda à tardinha, ela se reúne com suas amigas, e aí cai conversa. Falam mais da vida alheia do que mesmo trabalham.
Essa tal Cilene é tecedeira de náilon, faz tarrafa e rede de pescar, vende na cidade, muitas vezes por encomenda, o que ganha é pouco, mas dar para quebrar o galho.
Devido seu hábito de fofoqueira nunca soube que alguém ter ido a sua casa com inquisição, xingamento ou até mesmo com desaforo. Seu marido é dono de um barzinho e sempre reclama, por ela gostar de fazer isso. Às vezes ele diz:
__ Espero nunca ter problema por causa disso.
A vizinhança até gosta de ver as maluquices dela. É certo o que ela fala não prejudica muito de quem ela fofoca. A mesma é conhecida como a fofoqueira da rua. Quem tem seus segredos não a conte, pois no outro dia pode estar na boca da rua.
Dei o recado de minha mãe e fui embora. Mas até hoje nunca soube de confusão na porta da casa dela, talvez de quem ela faz mexerico, nunca soube.
Uma coisa é certa: quem muito fala dos outros, acaba esquecendo de si.

Eduarda Nascimento dos Santos. O gênero Crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro. 4ª edição. Turma: 9º B. Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho, Jijoca de Jericoacoara, Julho/2014.


O ASSALTO NA LOJA AO LADO

           Saía de casa, certa vez, para ir à casa de nossa vizinha, Liduína. Mal cheguei na calçada, olhei para o beco, ia saindo dois caras de moto, todos dois de blusão e de

capacetes, ambos irreconhecíveis.
            Antes de a moto parar o detrás pulou dizendo:
            __ É um assalto.
            Uma das meninas do caixa foi até onde estava a Day, sentada lá fora no alpendre do mercantil. Deu por si quando a companheira pega em seu braço dizendo que o mercantil está sendo assaltado.
            A jovem tomou um susto e se dirige ao caixa. Quando o ladrão a olha e fala:
            __ Passa todo o dinheiro pra cá. Caso contrário eu atiro.
            Nesse dia quem estava no caixa era a Taiane. A outra ordenou que ela o desse. Então desesperada deu para eles todas as moedas, mas os delinquentes recusaram em recebê-las, pois queriam somente cédulas.  
            No momento do assalto as vítimas quiseram reagir, mas perceberam que os marginais estavam armados, qualquer vacilo seria fatal. Mesmo com alguns fregueses na hora do incidente, não daria para reagir, porque os dois poderiam ser ágeis, mesmo com alguns homens no momento, mas seria arriscado.
            A vizinhança ao saber do ocorrido ligou imediatamente para a polícia, mas por demorar demais não conseguiram capturar os malfeitores. Quando chegaram apenas encontraram as funcionárias trêmulas e chorosas. Os mesmos tomaram o depoimento do pessoal que estava no local e depois saíram.
            É bom lembrar que assaltos como esse vem ocorrendo frequentemente nos arredores de Jijoca. Não existe hora e nem momento para acontecer. A população é que deve se prevenir da malandragem desses delinquentes.
Juliana Vasconcelos. O gênero  crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa. Julho/2014.   


            A CACHAÇA


Minha rua fica na estrada do bar do Lucinho, está entre dois bares: o da Marinha e do próprio Lucinho.  É uma rua calma, mas quando chega o fim de semana ela se torna movimentada.
Ao redor de onde moro, há muitas pessoas que gostam de usar uma bebidinha, mas essa bebida é aquela que esquenta por dentro, a famosa cachaça, sem se importar com sua qualidade. O importante é beber.
Meu pai, por exemplo, consome álcool. Meus tios, primos e vizinhos acompanham também. Agora imagine no final de semana quando todo esse povo chega em casa bêbados! Que alarido! E o pior de tudo é aquela conversa enjoada. Que não falta acabar mais.
A gente sabe que o álcool é uma droga lícita, permitido sua venda publicamente. Mas muitos ignoram os problemas trazidos por ela. Aí, sim é que se deve tomar cuidado. Porque tem pessoa que bebe como se fosse uma aguinha qualquer. E os malefícios só vem depois de um longo período.
Minha mãe às vezes diz: “Desde que me entendo por gente existe essa tal cachaça. Ela a um tempo atrás era comercializada em barris, por comboio que vinha do sertão. Hoje o uso dela está presente em todos os lugares. Apenas permitido para maiores de idade. Mas isso só ficou no papel. Porque tanto usa o maior quanto o menor. ”
Um certo amigo meu, a provou numa festa que foi pela primeira vez, depois daí virou um papudinho de carteirinha. Com dinheiro ou sem dinheiro, mas sempre dar um jeito de tomar. Isso é o que acontece com muitos, toma uma vez com um amigo, numa brincadeira, outra vez no casamento de alguém e aí chega um momento que não consegue parar, fica viciado, torna-se assim um verdadeiro alcoólico.
Esse tipo de gente abandona a família, esquece que tem filho e mulher, o que importa para ele são os amigos, as baladas, as noitadas, sua namorada é a tal bebida. Esse entra no mundo que vira dia e noite, noite e dia com o copo na boca. Muitos deles quando tem como beber, querem até se matar, outros ficam inquietos por não terem de onde tirar. É triste! Mas é uma realidade nua e crua.
As pessoas precisam aprender a beber socialmente. Evitando a desmoralização social. Procurando não ser mal visto aos olhares da sociedade.
Todos sabem que as consequências do alcoolismo são estrondosas, isso falo porque vejo e convivo com pessoas desprezadas pela família, mendigando um aqui ou outro lá. E o pior disso, não tem nenhum acompanhamento de ninguém, logo não tem condições. E muitas vezes quando aparece, eles rejeitam.
Uma coisa é certa, todo mundo tem o direito de viver como quiser, onde quer e fazer o que bem convier na telha, mas de uma coisa estou certo, a família é sem dúvida a célula mãe da sociedade. Cabe a ela tudo isso resolver na melhor forma possível.  

Maria Sandreane Vasconcelos de Sousa. O gênero Crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro. 4ª edição. Turma: 9° B (tarde), Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho, Jijoca de Jericoacoara-Ce, Julho/2014.

O JOGO, À TARDINHA

Na rua que moro tem toda à tardinha o jogo dos meninos no campo, este fica na rua principal, no caminho que vai para Jericoacoara, quando chega a hora do jogo começar, o campo cria vida, a adrenalina é total, parece que os jogadores é a vida do campo, com aquele suor frio e ao mesmo tempo fervendo por dentro. Pode-se perceber em alguns jogadores, o coração acelerado e com aquela paixão pelo futebol.
Por algum momento paro, e me sinto como se estivesse a jogar, mas apenas fico observando, torcendo por meu time escolhido, vibro, grito e indico por onde chegar com mais facilidade ao gol. É uma loucura! De vez em quando um jogador pede aqui, outro pede para passar e ainda outro grita:
__ É agora.
E a adrenalina ocorre quando finalmente o gol entra. É aquela gozação! Sei lá de onde sai tanta euforia! E o público é aquela algazarra. A comemoração do gol pelo time que torce. Uma vez ou outra a bola vai para estrada e os mesmos vão buscar. Essa estrada é o caminho que vai para Jericoacoara. E o campinho fica a sua margem direita.
Depois de um tempo volta à emoção, o desejo de fazer outro gol e de repente a bola bate na trave. Só se ouvem os suspiros: “Uuuuuuuuh!” Quando o jogo acaba quase anoitecendo todos vão embora a espera de no outro dia voltar para uma próxima partida.

Vânia Ferreira. O gênero Crônica. Olimpíada de Língua Portuguesa, Escrevendo o Futuro, 4ª edição. Turma: 9º B (tarde). Prof. Francisco Antônio de Paula Gregório. EMEF. Francisco Sales de Carvalho, Jijoca de Jericoacoara, Julho/2014.